Evento reuniu crianças, atletas com deficiência visual e com autismo, em uma programação marcada por esporte, inclusão e superação
O Instituto Maranhense de Deficientes Visuais (IMDV) realizou, no último sábado (26), o 1º Festival Paralímpico de Judô, na Cozinha Solidária do IAFFA, no bairro da Jordoa, em São Luís. A iniciativa reuniu crianças, atletas com deficiência visual e com autismo, do IMDV, e participantes da Academia Shiai de Judô em uma programação esportiva voltada à inclusão e ao desenvolvimento por meio do esporte.
Realizado em formato semelhante a um torneio, o festival proporcionou aos participantes a oportunidade de vivenciar uma experiência de competição, valorizando não apenas o resultado, mas principalmente a participação, a superação e o desenvolvimento de cada atleta. O evento também contou com a cobertura das TVs Mirante e Difusora. Segundo o presidente do IMDV, Etevaldo Santos, a iniciativa é inclusiva e transforma vidas. “O objetivo do Instituto é alcançar mais pessoas, mais crianças, mais jovens, mais adolescentes, para que a gente possa fazer a diferença na vida das pessoas através do esporte. O esporte tem esse poder de transformar vidas e transformar pessoas”, destacou Etevaldo.
A atividade marcou uma das etapas de encerramento de um projeto desenvolvido pelo IMDV, com apoio da Secretaria Nacional de Paradesporto, por meio de emenda parlamentar, que atualmente atende cerca de 70 pessoas, entre crianças, atletas cegos e pessoas idosas. Por meio da iniciativa, o Instituto ampliou sua estrutura para a prática esportiva, com a aquisição de tatames e quimonos e a contratação de professores e auxiliares técnicos. Para Maurício Morelli, participante do projeto, a experiência no judô tem sido marcada pela superação e pela oportunidade de mostrar à sociedade as potencialidades das pessoas com deficiência. “Este projeto vem, principalmente, mostrar para a sociedade que as pessoas com deficiência têm capacidade e podem se destacar, seja no esporte, na música, no estudo, e não ser simplesmente visto como um coitadinho ou tratado com capacitismo”, ressaltou.

Preparação para competições nacionais
Além de celebrar o trabalho desenvolvido ao longo do projeto, o Festival Paralímpico também marcou um momento importante na preparação dos atletas do IMDV para os próximos desafios da temporada.
No dia 8 de outubro, uma delegação maranhense formada por sete atletas, acompanhada pela comissão técnica, viajará para São Paulo para participar da Copa Loterias Caixa e do Grand Prix de Judô, que serão realizados de 9 a 11 de outubro, no Centro de Treinamento Paralímpico. O sensei Robson Neto afirmou que os atletas estão bem confiantes em trazer vitórias para o Maranhão. “A gente pega com ma confiança alta porque viemos de competição nacional forte em ir todos medalharam estamos com esperança de medalhar novamente”, disse.
Os atletas vêm realizando preparação desde março e chegam à competição com o objetivo de representar o Maranhão e buscar resultados expressivos no cenário nacional.
Na sequência, entre os dias 15 e 17 de outubro, a equipe participará do Grand Prix de Parajudô, competição da qual o IMDV participa pelo quarto ano consecutivo. A preparação envolve atletas, comissão técnica e profissionais responsáveis pelo acompanhamento e pela reabilitação dos participantes. O trabalho desenvolvido pelo projeto também envolve o acompanhamento técnico dos atletas, com uma equipe que participa de perto da evolução de cada participante. Para a fisioterapeuta e integrante da diretoria e da comissão técnica do IMDV, Keila Pires, acompanhar essa trajetória representa uma experiência significativa tanto profissional quanto pessoal.
“Para mim é uma satisfação muito grande compor tanto a diretoria como a comissão técnica do Instituto Maranhense de Deficientes Visuais e poder compartilhar do esporte paralímpico, poder acompanhar de perto cada atleta. É muito gratificante para mim como profissional, como fisioterapeuta e também como diretora do Instituto.”
Esporte como ferramenta de inclusão
Para o IMDV, a participação em festivais e competições faz parte de um trabalho contínuo de iniciação esportiva, desenvolvimento e inclusão. As atividades são destinadas a crianças e jovens com deficiência, atletas com deficiência visual, com neurodivergêncis, criando oportunidades de convivência, desenvolvimento físico e participação social.
A mãe Jorjane Dias, pedagoga e mãe de dois filhos inclusos no projeto de Judô, José João e Rafael Luiz, frisou o estímulo que receberam e os resultados que tiveram. “Desde março deste ano, eu tenho observado o que mudou na vida deles, no contexto social, na interação com o outro, na fala, nas trocas, nos movimentos e no comportamento”, relatou. Segundo ela, a prática esportiva vai além do exercício físico e também contribui para o desenvolvimento cognitivo, a saúde e o bem-estar. No caso de José João, que tem mobilidade reduzida em razão de uma malformação, as atividades adaptadas ajudaram na ampliação dos movimentos. Já Rafael Luiz apresentou avanços na interação com outras crianças, no comportamento e na disciplina. A mãe também reconheceu o trabalho da equipe do instituto e defende a continuidade e ampliação do projeto para que mais crianças tenham acesso às atividades e aos benefícios proporcionados pelo esporte.

