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Arte Nossa Festival vai celebrar o tambor de crioula e os saberes quilombolas em São Luís

por Politicando-MA

Evento reunirá apresentações culturais, seminário, oficinas e rodas de conversa para fortalecer a Política Nacional de Salvaguarda do patrimônio cultural maranhense

São Luís (MA) – A capital maranhense vai receber, entre 15 e 19 de junho, o Arte Nossa Festival, uma grande ação de valorização, preservação e fortalecimento do Tambor de Crioula do Maranhão, patrimônio cultural imaterial do Brasil. O evento promoverá o encontro entre grupos da capital e de comunidades quilombolas do interior do estado, como das cidades de Anajatuba, Rosário, Mirinzal, Cajapió e Santa Rita., reunindo apresentações culturais, atividades formativas e espaços de troca de saberes ancestrais.

Idealizado e coordenado por Simei Dantas, o festival nasceu com o propósito de fortalecer a Política Nacional de Salvaguarda do Tambor de Crioula e ampliar o reconhecimento das diversas formas de expressão dessa manifestação afro-brasileira, contribuindo para a continuidade dos saberes tradicionais entre as novas gerações.

Rei do Carimbó é atração nacional do festival

O encerramento da programação cultural será marcado pelo show do cantor paraense Pinduca, considerado um dos maiores representantes do carimbó e conhecido nacionalmente como o “Rei do Carimbó”. A apresentação acontece no dia 19 de junho, às 23h, na Praça das Mercês, reunindo ritmos amazônicos que dialogam com as tradições populares do Norte e Nordeste. Com uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas à cultura popular brasileira, o artista promete encerrar o festival em clima de celebração da ancestralidade, da diversidade cultural e da integração entre os povos e suas manifestações tradicionais.

Ancestralidade, identidade e preservação cultural

Mais do que um evento cultural, o Arte Nossa Festival – uma realização do Tambor de Crioula Arte Nossa e do Ministério da Cultura, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet – será um momento de reafirmar o compromisso com a preservação dos saberes ancestrais, a valorização das comunidades quilombolas e o fortalecimento do patrimônio cultural maranhense.

O ponto alto do Festival, ao longo dos cinco dias, serão as apresentações de grupos de tambor de crioula oriundos de diferentes regiões do Maranhão, além de manifestações tradicionais da cultura popular maranhense e atrações musicais que dialogam com a identidade cultural do estado.

Ao destacar a importância da iniciativa, Simei Dantas ressaltou que o festival surge como um instrumento de fortalecimento da política de salvaguarda. “Muito se fala sobre cultura maranhense e a força da ancestralidade africana nas suas manifestações, quando se refere aos povos tradicionais, originários e/ou quilombolas, sem o devido conhecimento e, principalmente, sem ouvir a voz destas pessoas e suas realidades de construção do conhecimento, da transmissão oral de saberes e das vivências seculares construídas na adversidade, vislumbrando possibilidades de trocas, engajamento e beneficiamento para os territórios quilombolas. O Arte Nossa Festival partiu dessa percepção”, resumiu a idealizadora do Festival. Simei destacou que “o evento será um encontro inédito que reunirá 15 grupos de Tambor de Crioula, remanescente de territórios quilombolas, na capital do Maranhão, São Luís, oferecendo formação, troca de saberes, rodas de conversas, apresentações artísticas nas interações entre mestres/as, grupos e o público em geral”.

Formação, diálogo e fortalecimento dos territórios quilombolas

Além das apresentações culturais, o Arte Nossa Festival investe na formação e no compartilhamento de conhecimentos por meio de seminário, oficinas e rodas de conversa – incluindo jovens de escolas públicas – voltadas para temas relacionados à salvaguarda do patrimônio cultural, políticas públicas, cultura quilombola, educação, direitos e valorização das tradições populares.

As atividades formativas reúnem pesquisadores, gestores culturais, mestres e mestras da cultura popular e representantes de comunidades quilombolas, promovendo um ambiente de diálogo e construção coletiva sobre os desafios e perspectivas da preservação do patrimônio imaterial.

A programação inclui ainda oficinas práticas de canto, dança e toques do tambor de crioula, além de rodas de conversa sobre experiências quilombolas e diferentes formas de expressão da manifestação cultural no Maranhão.

Tambor de crioula e a relação com São Benedito

O Tambor de Crioula é uma expressão afro-brasileira de origem maranhense que envolve música, dança de roda e cantoria, profundamente marcada pela ancestralidade e devoção a São Benedito. A salvaguarda se caracteriza pelo registro e fomento advindo das políticas públicas e ações de preservação criadas para garantir a continuidade, transmissão de saberes e valorização dessa tradição, respeitando seus detentores. Em 2007, o Tambor de Crioula do Maranhão foi o primeiro bem cultural maranhense a ser reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN). Com esse título, a manifestação foi inscrita no Livro das Formas de Expressão, o que obrigou o Estado a desenvolver o seu Plano de Salvaguarda para proteger e promover a prática.

Esta manifestação cultural maranhense é profundamente entrelaçada à devoção a São Benedito e une fé, resistência e celebração, onde os participantes dançam e cantam ao som de tambores em louvor ao santo, considerado o protetor dos negros. Na tradição oral do estado, a relação entre São Benedito e o Tambor de Crioula possui forte apelo mítico e religioso. De acordo com as narrativas repassadas por mestres e mestras da cultura popular, São Benedito aparece como o padroeiro das rodas. Uma das lendas mais populares conta que o santo teria sido um escravo que foi para a mata, cortou um tronco de árvore para fazer um tambor e ensinou os outros negros a tocar e a festejar. Por esse motivo, o Tambor de Crioula é muito mais do que uma forma de entretenimento, é um ritual de devoção. É comum que os grupos façam saudações específicas a São Benedito, no início ou ao longo das apresentações, misturando o sagrado e o profano em um ato de agradecimento ou pedido de proteção.

PROGRAMAÇÃO

APRESENTAÇÕES CULTURAIS

Local: Praça das Mercês – Avenida Senador Vitorino Freire, no Centro Histórico de São Luís (MA). A praça fica próxima a pontos de referência como o Convento das Mercês, a sede da CAEMA e o Centro Cultural Vale Maranhão.

18 de junho (quarta-feira)

18h às 22h – Apresentações de grupos de Tambor de Crioula da capital e de comunidades quilombolas

22h30 – Apresentação de grupo tradicional da cultura popular maranhense

19 de junho (quinta-feira)

18h às 23h – Apresentações de grupos de Tambor de Crioula da capital e de comunidades quilombolas

22h – Apresentação de grupo tradicional da cultura popular maranhense

23h – Show de encerramento com Pinduca 

SEMINÁRIO

Data: 18 de junho

Local: Auditório Paulo Freire – Auditório Paulo Freire (Centro Pedagógico Paulo Freire) está localizado na Cidade Universitária Dom Delgado, Av. dos Portugueses, nº 1966, no bairro Bacanga, 

9h – Abertura oficial

10h – Palestra Política de Salvaguarda do Tambor de Crioula

11h – Palestra Editais públicos para patrimônio cultural e cultura popular

12h às 14h – Intervalo

14h – Palestra Políticas para territórios quilombolas

15h – Palestra Cultura, educação e direitos nos territórios quilombolas

OFICINAS E RODAS DE CONVERSA

Data: 19 de junho

Local: Centro Cultural Vale no Maranhão

10h às 12h – Oficina de canto, dança e toques do Tambor de Crioula

12h às 14h – Intervalo

14h às 16h – Roda de conversa sobre experiências e vivências quilombolas

Local: Casa do Tambor de Crioula

10h às 12h – Oficina de canto, dança e toques do Tambor de Crioula

12h às 14h – Intervalo

14h às 16h – Roda de conversa sobre as diferentes expressões do Tambor de Crioula no Maranhão

Instagram: @artenossafestival

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