Idealizado por Simei Dantas, evento reuniu artistas, mestres da cultura popular, pesquisadores, estudantes e comunidades tradicionais neste último mês, em São Luís
Com uma programação marcada pela valorização da cultura popular e dos saberes tradicionais, o Arte Nossa Festival encerrou sua primeira edição deixando um importante legado para a cena cultural maranhense. Realizado entre os dias 15 e 19 de junho, pelo Tambor de Crioula Arte Nossa e do Ministério da Cultura – com patrocínio da Vale por meio da Lei Rouanet – o festival promoveu oficinas, palestras, mesas de diálogo, rodas de conversa e apresentações artísticas que aproximaram artistas, pesquisadores, mestres da cultura popular, estudantes e a comunidade em uma grande celebração da identidade cultural do Maranhão.
Idealizado pela produtora cultural Simei Dantas, o festival nasceu com o propósito de criar um espaço permanente de formação, intercâmbio e valorização das expressões culturais maranhenses, fortalecendo o diálogo entre tradição, educação, pesquisa e produção artística. “O festival tem essa proposta de dar visibilidade para esses grupos, fortalecendo os saberes e fazeres dos nossos quilombos”, frisou.
As atividades aconteceram em três importantes espaços culturais da capital maranhense: o Auditório Paulo Freire, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a Casa do Tambor de Crioula e o Centro Cultural Vale Maranhão, proporcionando ao público uma programação descentralizada e acessível.
Ao longo dos cinco dias, o Arte Nossa Festival transformou esses espaços em ambientes de aprendizado, troca de experiências e construção coletiva do conhecimento. O público participou de oficinas voltadas às manifestações da cultura popular, acompanhou debates sobre patrimônio cultural, memória, ancestralidade e identidade, além de prestigiar apresentações que evidenciaram a riqueza das tradições maranhenses.

Um dos momentos mais significativos da programação foi a participação de mestres da cultura popular e representantes de comunidades quilombolas do Maranhão, que compartilharam suas trajetórias, experiências e conhecimentos ancestrais. O diretor da Casa do Tambor de Crioula do Maranhão, Neto de Azile, ressaltou a importância da preservação do patrimônio imaterial. “Depois desse reconhecimento, a etapa mais importante é a salvaguarda, que reúne ações de preservação e proteção desses saberes, dos mestres e das mestras do Maranhão”, destacou.
Para ele, o Arte Nossa Festival cumpriu um papel essencial ao promover o intercâmbio entre grupos de diferentes regiões do estado.
O festival também promoveu um importante intercâmbio entre pesquisadores, estudantes universitários, produtores culturais, artistas e fazedores de cultura, estimulando reflexões sobre políticas públicas, salvaguarda do patrimônio imaterial e o fortalecimento das manifestações culturais populares.
A secretária de Estado da Igualdade Racial, Célia Salazar, ressaltou a relevância do encontro para o fortalecimento das políticas afirmativas voltadas à população quilombola. “É um momento de diálogo e de profundo debate sobre as políticas afirmativas destinadas às comunidades quilombolas, além de promover esclarecimentos sobre certificação, cultura e acesso aos recursos públicos. É uma troca de conhecimento importante tanto para a secretaria quanto para as comunidades”, declarou.

Mais do que um evento artístico, o Arte Nossa Festival consolidou-se como um espaço de formação, diálogo e valorização da diversidade cultural. Ao reunir diferentes linguagens e promover o encontro entre tradição e contemporaneidade, o festival reafirmou a cultura como instrumento de educação, inclusão social, fortalecimento da identidade e desenvolvimento humano.
A integrante do Tambor de Crioula Arte Nossa, Múcia Franco, destacou a riqueza da diversidade existente entre as manifestações culturais preservadas nos quilombos maranhenses. “Trazer grupos dos quilombos é fundamental porque eles preservam expressões diferentes das que conhecemos na Ilha de São Luís. Há tradições, como a punga de homem, que ampliam nossa compreensão sobre a riqueza e a diversidade do Tambor de Crioula”, revelou. Com o sucesso da iniciativa idealizada por Simei Dantas, o Arte Nossa Festival passa a integrar o calendário de importantes ações voltadas à preservação, difusão e celebração da cultura maranhense, abrindo perspectivas para novas edições e ampliando seu papel como espaço de encontro entre arte, memória e tradição.

